A Santíssima Trindade conseguiu uma entrevista com José Sócrates, Senhor Engenheiro, Primeiro Ministro Português. Dentro dos moldes propostos por Platão, num esquema pergunta-resposta-objecção-resposta, e numa conversa amena com O Prime Minister, ficámos a conhecer o nosso futuro. Sem recorrer às cartas da Maya ou ao Oráculo de Bellini. Eis, pois, a entrevista na sua íntegra:
A Santíssima Trindade: Boa tarde Sr. Engenheiro!
José Sócrates: Boa tarde, ora viva!
AST: Podemos começar já por reconhecer que as medidas já implementadas para combater o défice foram muito corajosas, mas, no entanto, insignificantes e insuficientes à realidade portuguesa. Portanto, numa altura em que a União Europeia não vê com bons olhos a actual situação portuguesa, que mais medidas podem os portugueses esperar?
JS: Bem, na verdade não vamos aumentar mais os impostos, e isso os portugueses podem ficar descansados, mas também não podemos fazer milagres por Portugal. A questão do défice é uma questão muito complicada e séria, e temos por isso, que seguir à risca aquilo que a U.E. nos diz.
AST: Mas tem, então, mais medidas em agenda?
JS: Tenho, mas só entrarão em vigor nos próximos dois anos.
AST: E por onde passarão essas medidas?
JS: Todos sabemos que o principal problema do país é a idade avançada da nossa população, ou seja, isto em termos financeiros significa a pouca entrada de capitais nos nossos cofres e no sentido contrário a elevada quantidade de dinheiro que saí todos os meses para sustentar os reformados e inválidos, e isto conta claramente, para um maior desequilíbrio nas contas e despesas públicas.
AST: Quer o Sr. Primeiro Ministro dizer, então, que vai aumentar o controlo ao fisco e reduzir as reformas aos pensionistas, não é assim?
JS: Bem, na verdade não vão ser assim tão radicais quanto isso, e só agora começo a compreender a ideia de Hitler ao exterminar inválidos e velhos...
AST: Ah, então considera boa a ideia de que a superioridade da raça também se pode aplicar no caso português, de maneira tal que vai fazer aumentar o ego dos potugueses, certo?
JS: Não, os livros de História é que abordavam dessa maneira, este pedaço do séc. XIX. Pretendemos com esta medida reduzir a contribuição do Estado para com estes indivíduos. Se este desequilíbrio se deve a eles, porque não eliminá-los. Bush, por exemplo, para acabar com os incêndios que se alastravam pelos E.U.A. propôs o abatimento de árvores. E, se repararmos, no fundo até tem lógica esta ideia.
AST: É esta medida que permitirá, então, o equilíbrio nas contas públicas?
JS: Achamos que esta medida chegaria, mas os nossos objectivos vão para além do défice. Não é demais lembrar que temos ideias e projectos e que pensamos numa expansão económica sem precedentes e sustentada.
AST: Quais as outras medidas para além destas? Quais os novos projectos de que fala?
JS: Nós sonhamos alto, e é preciso que assim o façamos, pois o sonho comanda a vida, já dizia o outro. E para a concretização destes projectos, aliás nós até brincamos quando falámos em satisfazer estes caprichos vão ser precisas medidas caprichosas.(risos) Ai, aquele Ministro das Finanças entrou com todo gás!
AST: No plano concreto, pode-nos adiantar alguma coisa?
JS: Posso, pois. Estamos a trabalhar, eu e o meu executivo, no sentido de nos próximos dois anos permitir o trabalho infantil, e isto por uma razão muito simples: esta medida financeiramente falando significa a entrada de dinheiro fresco essencial para os nossos projectos.
AST: Que projectos?
JS: Já toda a gente sabe que vamos construir um novo aeroporto na OTA e que vamos iniciar com a construção da linha de TGV, que irá ligar Portugal à Europa. Mas temos outros projectos em carteira: vamos apresentar uma candidatura aos Jogos Olímpicos de 2016 e vamos também concorrer à realização de um Mundial de futebol nos próximos 15/20 anos.
AST: E infra-estruturas que assegurem o bem estar da população?
JS: Já começamos a planear tudo. Por exemplo, o Sr. Ministro das Finanças já pediu uma mansão na Alentejo, à beira-mar e nós já atribuímos a empreitada a uma construtora civil, propriedade do meu acessor. Ao Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros já lhe demos um apartamento em cada capital europeia. Portanto, as barreiras burocráticas já quase não existem, e estamos a investir forte no futuro de Portugal, e os portugueses podem estar confiantes no nosso trabalho.
AST: Ainda bem que nos fala do Sr. Freitas do Amaral. Ficou chateado com as recentes declarações dele dadas à Comunicação Social?
JS: Não, não fiquei chateado, nem poderia estar. Para quem já a sua vida privada na lama, acho que não era para ficar aborrecido com tais declarações. Aliás, a amizade que nutro pelo Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros é tal, que vou jantar todos os fins-de-semana a casa dele, com a sua família. Portanto, não estou chateado, e penso que vamos fazer um bom trabalho juntos.
AST: Muito obrigada Sr. Eng. José Sócrates pela sua disponibilidade e boa sorte.
JS: Não se preocupe com o tempo, pois hoje até nem tinha muito que fazer. Até à próxima
O Pai